domingo, janeiro 08, 2012

Sensações


Você não perde essa mania, esse jeito de sensualizar. Você sempre deixa rastros, predomina em meu velho casaco o aroma do perfume teu. Um desacato esse olhar de cadela sem dono, me desaponta só de imaginar. É de praxe me ligar, se aproximar, querendo saber de mim, me visitar. Te recebo sempre muito bem, pode entrar o quarto é seu e o prazer vai ser recíproco. Do seu passado não quero falar, não sei se foi bom, se quer lembrar, prefiro falar do presente, do que você tem pra me dar. Sempre diz que meu jeito irônico te faz delirar, então deixa comigo, vou caprichar! Adora meu sorriso safado, mas sempre faz charme pra me provocar. Suas unhas cravadas em meu peito, sinto o cheiro do teu corpo e o gemido doce que germina de teus lábios. Sensação de sermos um corpo só, de estar dentro de você, te pertencer.

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Ave de rapina



Por milhões de vezes não entendo meus atos, me cobro, me maltrato, por cada erro que cometo. Penso até em estar pirado, atitudes tomadas atormentam a mente, a insonia é sempre a minha companheira e as olheiras chegam a queimar. É tanta solidão num corpo presente, é mistura de paz querendo alegria, é o medo da noite que se transforma em dia, é o cochilo da alma que é invasivo, que me arrepia. Passo a mão pelo meu rosto, pelo meu corpo e nada mudou, faço planos de renovo, penso em ir mais não vou. Por que tanto medo? Por que tanto anseio sem realizar? E outra vez me pego pensando nessa rotina que perdura os meus dias e a nostalgia que me faz dominar. Em contrapartida feito uma ave de rapina, percebo a coragem, uma força maior me invadir, sem eu se quer permitir, é como se encontrasse o êxito dentro de mim, a plenitude. Quando me encontro nesses raros momentos de bravura, não me contenho, vou em direção dos meus planos e sonhos, arregaço as mangas da camisa, ergo a cabeça, estufo o meu peito e vou pra luta, nem me importo em perder ou ganhar.

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Free

 

Quero ainda conhecer lugares, conversar com meus pais, fotografar as paisagens, respirar novos ares. Quero atrair olhares, vestir o que gosto, sorrir de forma ingênua, não absorver a opinião de quem tanto me condena. Descrever alguns fatos, justificar meus atrasos, percorrer teus espaços. Quero ainda saber das estrelas, estudar os planetas, desvendar os mistérios do eclipse solar. Não quero parar em qualquer esquina, sei o que é bom pra mim, estou cansado das rotinas. Se em cada desafio houver confiança, a luta é vencida, a vitória te alcança. Quero falar pro mundo o que vivi, escrever um livro talvez, pra relatar o que eu quiser, o que conquistei, o que senti, o que aprendi. Quero ainda ajudar à quem precisa, gente esquecida, sem promessas, sem planos na vida. Curar algumas feridas, mesmo ser for na bebida, o importante é esquecer. Só não permito me prender à situações triviais, pessoas pequenas de alma ou sem muita ambição, prefiro cuidar de mim, não tenho tempo de me envolver. Analiso bem a proposta, abro e fecho a minha porta, mas não me liga, não incomoda. Arrumo os lençóis da cama, você jura que me ama, mas eu finjo não ouvir. Não tente entender meus códigos, minha conduta, nem eu me entendo, sou egoísta em relação a mim, sou intenso, reservado, sou free.

domingo, dezembro 25, 2011

Porta-retrato


Quadrado, velho, de madeira
De valor profundo, pelo menos sentimental.
Se tornara imortal, meio que intimista.
Era minha única referência no apogeu da solidão.
Ai de quem ousasse mudá-lo de lugar,
Gostava dele ali, justamente naquele cantinho.
Trazia-me lembranças,
Faltava-me um afago,
Sentia-me vazio, sombrio.
Mas em meio a distância,
Era apenas eu e o porta-retrato.


quinta-feira, dezembro 15, 2011

Só fala quem tem juízo?


Estou aprendendo a enfrentar meus medos, to engatinhando confesso, mas me troco em mil facetas, sei me virar. Só me jogo na realidade quando o terreno é plano, se não for não piso, não me conformo e ponto final. Aprendo só de olhar, observador nato, autodidata, não sou de perguntar. Prefiro me calar, sou mais de ouvir de analisar, se falo penso, se não penso me contenho, nada de banalizar. A idade explica a razão, a velha e boa experiência ainda faz toda a diferença, estou cansado de mentiras, ando farto de tanta descrença. É bom fechar os olhos em determinados momentos, essa pode ser a melhor forma de se posicionar, só não é bom se acostumar. Acredito muito em percepção, mas não me equilibro nessa variável, até porque já quebrei a cara inúmeras vezes com percepções precipitadas. As palavras devem ser medidas, uma vez ditas, estão livres para serem ouvidas e interpretadas por qualquer sujeito, sendo até mesmo usadas contra quem as ditou. Melhor ser um mudo inteligente, do que ser um falastrão que só diz patacoadas (#fica a dica). A sabedoria de quem fala está no prefixo, no juntar dos argumentos, no pensar principalmente, antes de evaporar qualquer ideia pela boca. Muito mais que uma reflexão, o pronunciar exige respeito, ética e bom senso a que ou a quem nos referimos. A tarefa mais difícil é a de lembrar dessas afirmativas, quando o sangue esquenta, o veneno escorre, e aí não tem jeito, as ofensas são disparadas para todos os cantos, sem escolher vítimas, feito um fuzilar.